Olá. Vim contar como descobri que tenho a tal da endometriose, mas para isso, tenho que contar o inicio de tudo. Prepare a pipoca, pegue seu lencinho e venha ver como não foi nada fácil para mim. Ok, fiz drama, mas não estou de toda errada, quer ver?
Iniciei o ano de 2012 com o pé engessado. Isso foi por conta de um Fla x Vasco no Engenhão, onde saiu uma briga desgramada e na hora da correria, a bonita aqui torceu feio o pé. Resultado: engessada até março. Isso porque a confusão foi em dezembro de 2011. Enfim, tirei a bota ortopédica em março. Bendito março! Foi em março também,que numa reunião de pauta senti uma pontada na nuca, uma dormência no braço esquerdo, uma dorzinha chata de cabeça e pedi, gentilmente ao meu chefe, que me liberasse. Fui para a emergência do prédio onde trabalhava. Chegando lá, foi verificada a minha pressão - o normal dela é 9/6 - feita uma medicação intravenosa e dai, ele fala: "Corre para o hospital. Você está infartando!" Isso mesmo que você leu... INFARTANDO!
Minha mãe estava comigo, pois foi fazer compras para páscoa e me esperar sair do trabalho, tava fazendo hora. Foi a minha sorte! Ela é enfermeira e sabia como lidar. Corremos pro hospital. Ela ja chegou falando, quase que gritando: "minha filha está infartando! Ajuda! Ela está INFARTANDO!" Fui levada a uma sala, onde minha pressão foi verificada de novo. A danada estava 15/9. Foi feito um exame de sangue para verificar as enzimas, eletrocardiograma, uma cambada de exames. Depois de horas de espera e de não aguentar mais ficar no soro tomando remédio para isso e para aquilo, surge o médico: "você vai precisar ficar em observação, pois vamos refazer seus exames a cada duas horas". Eu só pensava que aquilo era uma brincadeira. Porque, né, gente, quem infarta com 27 anos recém completados? E mais, nem estressada eu estava e olha que isso é algo raro.
Os exames foram refeitos e nada de melhorar a situação Parecia, até, que piorada. Ai, surge o médico de novo (confesso que já estava cansada da cara dele) e fala: "é...você vai ter que aguardar, pois terá que ser removida para um hospital que lhe dê maior assistência. Aguarde a chegada da ambulância, por favor." Quando ele me falou isso eram 23h, levando em conta que eu cheguei lá as 19h e estava morreeendo de fome, esperar mais alguns minutinhos a mais, não iria fazer lá diferença. Me enganei. Já passava das duas da manhã e NADA da tal ambulância. Minha mãe, aquela FOFA, me pergunta, já cansada da espera e com pena absurda de mim:" você confia na mamãe?" Fiz sinal de que sim, por quê nao confiaria? Ae ela fala: "vamos embora agora!" Iuuuuupiiiii. Acho q melhorei na hora. Meus olhos brilharam. Aiii que emoção!!!!
Chegando em casa, ela me dopou. Não sei o que ela me deu, mas apaguei em seguida e acordei no outro dia sem dor só grogue, nada demais..
Passado esse susto de infarto, resolvi fazer um check up. Afinal, alguma coisa não devia estar funcionando direito para eu ter infartado do nada. Procurei um hospital que faz todos os exames na hora. Ai, meu bem, eu fiz a festa: fui no cardiologista, ginecologista, dermatologista... No Cardio, pelos os exames que ele passou, ficou comprovado que eu tinha mesmo infartado e que tinha uma lesão no miocárdio não sei das quantas. Na Dermatologista, probleminha na pele, trocar sabonete e blá blá blá, já no Ginecologista...
segunda-feira, 31 de março de 2014
domingo, 30 de março de 2014
Sim, sou portadora!
Sou uma portadora de endometriose. Nossa, falar portadora soa como se fosse algo contagioso, mas é esse o termo correto: portadora de endometriose. A palavra é feia, mas antes fosse só a palavra. A doença, como meu médico disse uma vez, ela é maldita! Logo eu que nunca fui de usar esse termo, tive que concordar.
Me assumir portadora, aceitar que tenho a doença, foi sofrido. Doeu demais. Ainda dói, mas hoje em dia, é uma dor mais aceitável, do tipo: "o que não tem remédio, remediado está". Sei que é errado se conformar com o ruim, com a dor, mas não tive outro jeito. Ela é assim, faz com que a portadora fique assim.
Descobri a doença há dois anos. Mas sei lá há quanto tempo a tenho. Talvez, desde a adolescência, ou há dois anos mesmo, quem sabe?! Foram os dois anos mais complicados da minha vida. Tem sido. Foram os dois anos mais intensos da minha vida. Não tem sido tanto. Foram os dois anos necessários para a minha vida. Mas poderia ter passado sem essa.
Eu tinha 27 anos, trabalhava a todo vapor (sou Jornalista), estudava, namorava, tinha uma vida social super satisfatória. Ai, do nada, descubro que passaria a viver limitada, que a vida bacanuda que eu levava, teria que ser freada. Nossa, que baque! Se somente eu carregasse essa endometriose nas costas, beleza, não incomodaria mais ninguém, mas me vi dependente de tudo, de todos. Isso não foi nada legal!
Sempre fui muito ativa. Sou de falar muito, de pentelhar os outros, de pentelhar a vida. Não paro quieta. Sou do tipo de pessoa que, até em casa, fico pulando. Acho que não cresci para determinadas coisas. Vivo rindo... de tudo. Falei isso tudo no presente, né? Deve ser a vontade de que isso tudo volte a ser assim. Quem tem endometriose não pode viver pulando, não vive rindo e sim com dor, evita até ficar falando, porque a dor é tanta que ela só quer ficar quieta. E quando falam muito ao seu lado em momentos de crise... sai debaixo. Ai que parece que a dor aumenta e que só vai passar quando a gente der um murro na pessoa, para que ela cale a boca. Bom, ao menos, comigo funciona assim. Mas depois de dois anos com a doença, até que estou mais dócil, mais tolerante e, até, mais falante sim, por quê não?!
O diagnóstico foi rápido, mas a peregrinação para achar o médico e o tratamento ideal, não. Mas isso já é motivo para um outro post...
Apresentação
Olá.
Me chamo Raphaele e resolvi criar esse espaço para compartilhar meu calvário. Sim, pois ter endometriose é ter um baita calvário. Mas não foi só para isso que criei. Quis e quero criar uma ponte com mais portadoras da doença, falar - no caso, escrever - debater, trocar experiência, contar como foi mais um dia com a bendita.
Quero fazer desse espaço, algo gostoso e não penoso. E, lá vou eu! Vem!
Me chamo Raphaele e resolvi criar esse espaço para compartilhar meu calvário. Sim, pois ter endometriose é ter um baita calvário. Mas não foi só para isso que criei. Quis e quero criar uma ponte com mais portadoras da doença, falar - no caso, escrever - debater, trocar experiência, contar como foi mais um dia com a bendita.
Quero fazer desse espaço, algo gostoso e não penoso. E, lá vou eu! Vem!
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