domingo, 30 de março de 2014

Sim, sou portadora!

Sou uma portadora de endometriose. Nossa, falar portadora soa como se fosse algo contagioso, mas é esse o termo correto: portadora de endometriose. A palavra é feia, mas antes fosse só a palavra. A doença, como meu médico disse uma vez, ela é maldita! Logo eu que nunca fui de usar esse termo, tive que concordar. 
Me assumir portadora, aceitar que tenho a doença, foi sofrido. Doeu demais. Ainda dói, mas hoje em dia, é uma dor mais aceitável, do tipo: "o que não tem remédio, remediado está". Sei que é errado se conformar com o ruim, com a dor, mas não tive outro jeito. Ela é assim, faz com que a portadora fique assim.
Descobri a doença há dois anos. Mas sei lá há quanto tempo a tenho. Talvez, desde a adolescência, ou há dois anos mesmo, quem sabe?! Foram os dois anos mais complicados da minha vida. Tem sido. Foram os dois anos mais intensos da minha vida. Não tem sido tanto. Foram os dois anos necessários para a minha vida. Mas poderia ter passado sem essa.
Eu tinha 27 anos, trabalhava a todo vapor (sou Jornalista), estudava, namorava, tinha uma vida social super satisfatória. Ai, do nada, descubro que passaria a viver limitada, que a vida bacanuda que eu levava, teria que ser freada. Nossa, que baque! Se somente eu carregasse essa endometriose nas costas, beleza, não incomodaria mais ninguém, mas me vi dependente de tudo, de todos. Isso não foi nada legal!
Sempre fui muito ativa. Sou de falar muito, de pentelhar os outros, de pentelhar a vida. Não paro quieta. Sou do tipo de pessoa que, até em casa, fico pulando. Acho que não cresci para determinadas coisas. Vivo rindo... de tudo. Falei isso tudo no presente, né? Deve ser a vontade de que isso tudo volte a ser assim. Quem tem endometriose não pode viver pulando, não vive rindo e sim com dor, evita até ficar falando, porque a dor é tanta que ela só quer ficar quieta. E quando falam muito ao seu lado em momentos de crise... sai debaixo. Ai que parece que a dor aumenta e que só vai passar quando a gente der um murro na pessoa, para que ela cale a boca. Bom, ao menos, comigo funciona assim. Mas depois de dois anos com a doença, até que estou mais dócil, mais tolerante e, até, mais falante sim, por quê não?!
O diagnóstico foi rápido, mas a peregrinação para achar o médico e o tratamento ideal, não. Mas isso já é motivo para um outro post...

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